
Foi divulgada nesta quarta-feira (21) pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) a edição de janeiro do índice que mede a confiança do empresário industrial na economia brasileira. No primeiro mês do ano, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) registrou alta de 0,5 ponto, alcançando 48,5 pontos. Apesar do avanço discreto, o índice permaneceu abaixo da marca dos 50 pontos, o que indica que as condições atuais da economia brasileira e das próprias empresas seguem piores do que há seis meses.
Em termos de expectativas, os sinais são um pouco melhores. As indústrias brasileiras consideram que elas serão mais produtivas ao longo do primeiro semestre de 2026, com um índice de confiança de 54,7 pontos. Mesmo em um cenário adverso, elas esperam reagir por suas próprias pernas.
A Alemanha tem um índice metodologicamente similar ao do Brasil, abrangendo indústrias, serviços, construção e varejo. O IFO Business Climate de dezembro de 2025 caiu para 87,6 pontos, o menor nível em sete meses. Quase todos os setores alemães foram afetados e, no caso da indústria, o número de novos pedidos caiu e muitas empresas passaram a considerar reduzir a produção.
Enquanto no Brasil o ceticismo ainda está restrito aos índices, na Alemanha ele já vem acompanhado de fechamento de portas. A maior economia da Europa viu fechar nos últimos anos nomes icônicos como Goertz (calçados), Gerry Weber e Esprit (moda), Groschenmarkt (varejo de desconto), Karrie Bau (construção) e até a Zoo Zajac, a maior pet shop do mundo. O que chama atenção não é o volume de falências, mas a distribuição setorial que atinge diversos segmentos.
A indústria alemã, que sempre foi âncora de estabilidade, tornou-se vulnerável a conflitos globais, tarifas comerciais e preços elevados de energia. E isso é um aprendizado importante para o Brasil.
A Alemanha apostou tudo na China como mercado consumidor e na Rússia como fornecedora de energia barata. Quando a invasão da Ucrânia cortou o gás russo, o modelo desmoronou. O Brasil, por sua vez, tem uma oferta de energia renovável abundante e barata, que precisa ser transformada em ativo estratégico.
Outro exemplo de que o mundo mudou é o fato de a Alemanha ter permanecido focada na indústria automotiva tradicional, enquanto os consumidores passaram a preferir veículos elétricos Tesla ou os híbridos das montadoras chinesas. O Brasil enfrentará situação semelhante se não se desapegar do rótulo de ‘celeiro do mundo’ e passar a investir em setores de maior valor agregado.
Brasil e Alemanha iniciam 2026 em um clima de incerteza, refletido em seus principais indicadores de confiança. Os modelos econômicos antigos ou suas ‘vocações naturais’ terão de evoluir para dar conta de uma nova realidade econômica mundial.





