Estoque de bebidas premium preocupa e é o maior em 10 anos

23 de janeiro de 2026 2 minutos
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O fim de semana chegou e alguns de nós já vislumbram momentos de descanso acompanhados de uma bebida premium envelhecida, daquelas que exigiram, além dos anos de guarda, um trabalho meticuloso de seus criad0res.  Mas é cada vez menor o número de pessoas dispostas a apreciar esses momentos, o que fez com que as cinco maiores produtoras de bebidas alcoólicas do mundo acumulassem US$ 22 bilhões em destilados envelhecidos, o maior estoque dessas bebidas em mais de uma década.

Durante o período pós-pandemia de 2021-2022, empresas como Diageo, Pernod Ricard, Campari, Brown Forman e Rémy Cointreau produziram massivamente para atender à demanda reprimida. Porém, com a alta da inflação e a queda da renda dos consumidores no mundo todo, as vendas de destilados premium despencaram, deixando as empresas com elevado volume de produtos parados.

Na Rémy Cointreau, o valor do seu inventário de conhaque é quase o dobro da receita anual da empresa e praticamente igual ao seu valor de mercado total. As exportações da bebida para a China caíram 72% após tarifas chinesas chegarem a 34,9%.

Assim como a Rémy, outros fabricantes consideram suspender a produção, ainda que temporariamente. Para Diageo e Pernod Ricard, o custo de armazenar esse estoque eleva as taxas de alavancagem financeira muito acima do esperado. O analista de mercado Edward Mundy, da consultoria Jefferies, comenta: “Cortar a produção agora pode deixar as empresas sem estoque daqui a cinco ou dez anos quando a demanda se recuperar, mas manter a produção como está aumenta dívidas e pode desencadear uma mudança importante na dinâmica de preços”.

O fenômeno não está restrito a produtores de conhaques e uísques. A tequila mexicana também enfrenta superprodução, com meio bilhão de litros em estoque – o que equivale a quase a produção anual inteira do país.

A editora de Consumo do Financial Times, Madeleine Speed, levantou, nesta semana, um debate que poucos haviam levado à imprensa: a queda no consumo de álcool no mundo está ligada a mudanças sociais, valorização do bem-estar e principalmente à rápida adoção de medicamentos para perda de peso como Wegovy e Ozempic. Esses medicamentos reduzem comportamentos de recompensa, incluindo consumo de bebidas alcoólicas. Se isso se confirmar em escala, é uma mudança estrutural permanente no mercado – não apenas de um ciclo econômico.

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