Missão de discutir futuro de Gaza é novo desafio da Europa

19 de fevereiro de 2025 3 minutos
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Não bastassem as preocupações da União Europeia com os desdobramentos da guerra na Ucrânia, as pressões de Donald Trump para aumento dos gastos militares pelos países membros e os desafios crescentes no âmbito do comércio global, o continente tem que lidar agora com outro tema delicado: o futuro da faixa de Gaza.

A recente sinalização dos Estados Unidos de que poderia ocorrer a desocupação do território pelos habitantes palestinos tem provocado reações na comunidade internacional. Em resposta, a União Europeia e países árabes liderados pelo Egito, estão desenvolvendo um plano alternativo que visa à reconstrução de Gaza sem deslocar sua população, tendo como meta a estabilidade na região.

O presidente Donald Trump propôs remover os habitantes de Gaza e realocá-los em países vizinhos como Egito e Jordânia, sugerindo a eventual criação de uma “Riviera do Oriente Médio” sob administração americana. A iniciativa foi amplamente condenada por líderes árabes e europeus, que consideram a proposta uma violação dos direitos dos palestinos.

O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou o plano como “extremamente perigoso” e defendeu uma abordagem mais sustentável para a região. Já o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, enfatizou que qualquer solução para Gaza deve garantir a permanência dos palestinos e respeitar sua soberania. O Egito lidera uma frente diplomática que busca uma alternativa viável à proposta americana, contando com o apoio de países árabes e da União Europeia.

A alternativa árabe-europeia

Em oposição ao plano dos EUA, o Egito elaborou uma proposta focada na reconstrução de Gaza sem deslocamento forçado. A iniciativa prevê:

  • Criação de zonas seguras dentro do território, permitindo que os moradores permaneçam enquanto a infraestrutura é reabilitada;
  • Formação de um comitê palestino para governar Gaza, sem envolvimento do Hamas, mas com apoio da Autoridade Palestina;
  • Captação de financiamento internacional, com estimativas iniciais de US$ 20 bilhões em investimentos, provenientes da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar.

A União Europeia se posicionou favorável a esse plano e pretende ampliar o envolvimento do bloco nas negociações.

Apesar do forte apoio diplomático, o plano árabe-europeu enfrenta obstáculos consideráveis. Um dos principais desafios é garantir consenso entre as facções palestinas. A exclusão do Hamas da governança de Gaza poderia gerar tensões internas, especialmente entre seus apoiadores, as quais levariam Israel a um estado de prontidão e alerta.

Outro ponto crítico: o financiamento da reconstrução. O Banco Mundial estima que os danos à infraestrutura de Gaza ultrapassem US$ 50 bilhões, um valor muito superior ao que está atualmente em discussão. Além disso, é necessária uma estrutura de segurança robusta, para garantir que o território reconstruído não volte a ser palco de conflitos armados.

 

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