
Uma nova análise do Fundo Monetário Internacional sobre o impacto da inteligência artificial na economia europeia traz projeções conservadoras para o continente, revelando que os ganhos de produtividade no médio prazo devem ser modestos e distribuídos de forma desigual entre os países da região.
O estudo, publicado em novembro no blog do FMI, estima que sem reformas adicionais, o aumento cumulativo de produtividade na Europa seria de cerca de 1,1% ao longo de cinco anos International Monetary Fund, um número que expõe o desafio do continente em capitalizar sobre a mais recente revolução tecnológica.
A adoção da inteligência artificial está avançando mais rapidamente que tecnologias anteriores, como o computador pessoal e a internet. Porém, a análise indica que converter esse ritmo acelerado em ganhos econômicos concretos dependerá de três fatores principais: o grau de exposição de setores e profissões à automação, os incentivos das empresas para adotar a tecnologia — especialmente a possibilidade de reduzir custos com mão de obra — e os ganhos médios de produtividade entre diferentes profissões.
As projeções revelam diferenças substanciais entre as economias europeias. Em cenários otimistas, países como a Noruega poderiam alcançar ganhos próximos a 5%, enquanto economias de renda mais baixa, como a Romênia, registrariam aumentos inferiores a 2% International Monetary Fund.
A explicação para essa disparidade está na estrutura econômica de cada país. Nações com rendimentos mais elevados tendem a ter maior participação de serviços profissionais, gerenciais e administrativos, justamente as áreas mais expostas à inteligência artificial, incluindo finanças e desenvolvimento de software. Além disso, os níveis salariais mais altos nessas economias criam incentivos mais fortes para que as empresas invistam em automação.
O estudo reconhece que os efeitos da inteligência artificial podem ser mais expressivos no longo prazo, à medida que as capacidades dos modelos evoluem e surgem novas indústrias. A tecnologia também pode acelerar pesquisa e desenvolvimento em áreas como a descoberta de medicamentos, o que poderia amplificar os ganhos de produtividade.
Entretanto, mesmo considerando esses fatores, o impacto projetado para a Europa tende a ser inferior ao observado nos Estados Unidos International Monetary Fund, apontando para um risco de ampliação da já existente diferença de produtividade entre as duas regiões.
Para potencializar os benefícios da inteligência artificial, o FMI identifica várias áreas que exigem atenção dos formuladores de políticas públicas. Entre as prioridades está o aprofundamento do mercado único europeu para reduzir barreiras transfronteiriças, facilitando a integração econômica e a disseminação de tecnologias.
O estudo também destaca a necessidade de fortalecer os mercados financeiros para apoiar investimentos em ativos intangíveis, como software e propriedade intelectual. A mobilidade laboral surge como outro fator crucial, demandando mercados de trabalho flexíveis e sistemas de proteção social portáteis que permitam aos trabalhadores se adaptarem às mudanças tecnológicas.
A infraestrutura energética aparece como um requisito fundamental. A inteligência artificial exige mercados energéticos eficientes e confiáveis para sustentar centros de dados e operações computacionais intensivas. Por fim, a análise enfatiza a importância de marcos regulatórios que equilibrem questões de proteção de dados, ética e segurança com espaço suficiente para o desenvolvimento tecnológico.
O relatório do FMI deixa claro que a magnitude dos ganhos de produtividade resultantes da inteligência artificial na Europa dependerá menos da tecnologia em si e mais da capacidade do continente de implementar reformas estruturais, integrar mercados e calibrar adequadamente suas políticas públicas. Para uma região que já enfrenta crescimento anêmico, essa será uma prova decisiva de sua capacidade de adaptação econômica.






