Como a compra da Versace pela Prada pode redefinir mercado de luxo

Gisele Darbellay, diretora na Imagem Corporativa 06 de março de 2025 3 minutos
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A minimalista grife italiana Prada está prestes a adquirir o seu oposto fashion: a maximalista Versace que, pela segunda vez, está à venda no mercado. 1,5 bilhão de euros (ou US$ 1,6 bilhão) foi a cifra citada pela Bloomberg como o montante total dessa operação, que já fez as ações de ambas as companhias sediada em Milão a subirem cerca de 4% nos últimos dias.

A potencial aquisição da Versace pela Prada é significativa porque pode embaralhar o panorama europeu nesse campo, fortalecendo a posição da Itália no setor e estimulando novas dinâmicas de mercado. Em outras palavras, é um contra-ataque aos conglomerados franceses LVMH e Kering, que lideram a corrida global no mercado de moda de luxo.

Ainda que a compra aconteça, uma Prada fortalecida ainda ficará longe das rivais francesas. Hoje a marca fatura US$ 5,7 bilhões por ano, enquanto as vendas da Versace ficam em torno dos US$ 900 milhões.

A holding LVMH fatura mais de US$ 84 bilhões por ano em diversos segmentos de luxo (inclusive bebidas premium), sendo a moda responsável por nada menos que US$ 41 bilhões daquelas vendas totais. Suas principais marcas nessa área: Louis Vuitton, Christian Dior, Fendi e Givenchy,

Já a Kering  tem vendas anuais superiores a US$ 17 bilhões, graças a marcas como Gucci, Saing Laurent, Balenciaga e Bottega Veneta.

Embora a Versace tenha enfrentado desafios financeiros recentes, a Prada possui expertise em manufatura, marketing e varejo que poderiam revitalizar a marca. No entanto, essa reestruturação vai exigir altos investimentos e pode impactar os lucros da Prada no curto prazo.

A união das duas marcas italianas pode desencadear, ainda, uma onda de consolidações no setor, incentivando outras grifes a buscar parcerias ou aquisições para fortalecer suas posições no mercado global.

Afinal nem tudo nesse mercado é glamour: se por um lado o setor de luxo na Europa tem mostrado sinais de recuperação, como revelaram os resultados do último trimestre de 2024, por outro ainda preocupa a desaceleração do crescimento econômico da China (por vários anos protagonista no consumo de produtos de luxo).

Os analistas do mercado de luxo acreditam que o pior já passou e que 2025 tende a ser um pouco mais estável.

Outro ponto de atenção que aflige as grifes europeias é a imposição de tarifas sobre produtos importados já decretada pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump contra Canadá, México e China. A medida deverá atingir também a Europa, a qual “trata muito mal as empresas americanas” segundo Trump.

Para mitigar uma decisão que pode sobretaxar os produtos do continente em até 25%, as marcas consideram diversificar seus mercados, aumentar a produção em outros países e investir em inovação para manter-se competitivas. Resta saber se essas medidas serão suficientes para neutralizar completamente os efeitos negativos trazidos pelos EUA, que não serão pequenos.

 

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