
O Chipre assumiu a presidência rotativa do Conselho da União Europeia sob o lema “Uma União Autônoma. Aberta ao Mundo”, apostando no fortalecimento da autonomia europeia como resposta aos desafios geopolíticos que confrontam o bloco. A presidência, que se estende até junho de 2026, coloca a defesa e segurança no centro da sua agenda, num momento em que a guerra na Ucrânia e a instabilidade global testam a resiliência da União.
O presidente Nikos Christodoulides traçou uma visão ambiciosa para o semestre, estruturada em cinco pilares principais: autonomia através da segurança e defesa, competitividade econômica, abertura ao mundo, coesão social e a definição de um orçamento de longo prazo. A presidência identificou o fortalecimento das relações transatlânticas e da cooperação entre a União Europeia e a OTAN como pilares centrais da segurança europeia, um posicionamento que reflete as crescentes preocupações com a capacidade de resposta do bloco a ameaças externas.
A escolha do país mediterrâneo para priorizar a defesa europeia levanta questões sobre o papel de uma nação que mantém estatuto de neutralidade e enfrenta tensões com a Turquia. No entanto, o programa apresentado compromete-se a promover a rápida implementação do Livro Branco sobre a Defesa Europeia e do Roteiro de Prontidão para 2030. A segurança marítima e a proteção das rotas de navegação também ocupam lugar de destaque, refletindo a posição geográfica estratégica de Nicósia.
No campo econômico, a presidência defende a simplificação da legislação europeia através do chamado pacote Omnibus, visando reduzir a carga administrativa sobre empresas. A gestão das migrações foi identificada como uma questão central de segurança, com a presidência prometendo promover a implementação completa do Pacto sobre Imigração e Asilo e o fortalecimento do sistema de retorno. O alargamento da União Europeia surge como outra prioridade estratégica, com a Moldávia identificada como foco de atenção particular no processo de adesão.
O mandato coincide com outro marco importante para a integração europeia. A Bulgária tornou-se o 21º membro da zona do euro, adotando a moeda única após quase duas décadas como membro da UE. Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, declarou que o euro é um símbolo poderoso do que a Europa pode alcançar quando trabalha em conjunto.
A adesão búlgara, no entanto, foi marcada por divisões internas. Segundo a pesquisa mais recente do Eurobarômetro, 49% dos búlgaros se opõem à mudança, com preocupações sobre o impacto nos preços e no poder de compra. O presidente búlgaro, Rumen Radev, lamentou a ausência de um referendo sobre a questão, descrevendo essa recusa como sintoma de uma divisão profunda entre a classe política e o povo.
A taxa de conversão foi fixada em 1,95583 lev por euro, correspondendo à taxa central do lev no Mecanismo de Taxas de Câmbio. Apesar das preocupações públicas, economistas argumentam que os benefícios de longo prazo incluem maior confiança dos investidores estrangeiros e redução dos custos de conversão para empresas, especialmente as pequenas e médias que podem economizar cerca de um bilhão de lev anualmente apenas em custos de conversão.
Com a Bulgária na zona do euro, seis países da UE ainda mantêm suas moedas nacionais, embora tenham assumido o compromisso de aderir ao euro no momento de sua entrada no bloco. O Chipre enfrenta agora o desafio de impulsionar a agenda europeia num contexto de incertezas geopolíticas e expectativas elevadas sobre a capacidade da União de reforçar sua autonomia estratégica.






