UE e Reino Unido perderiam mais que EUA em guerra tarifária

29 de janeiro de 2026 4 minutos
Europeanway

Uma nova análise econômica da Universidade Aston em Birmingham mostra que a União Europeia e o Reino Unido sofreriam mais economicamente que os Estados Unidos caso optassem por retaliar as ameaças tarifárias de Donald Trump. A pesquisa, divulgada nos últimos dias, analisa os impactos de uma potencial guerra comercial relacionada à disputa sobre a Groenlândia.

A volatilidade geopolítica que se acentuou a partir do mandato Trump nos EUA tem forçado os líderes europeus a avaliar diferentes cenários de enfrentamento ao presidente americano. A modelagem feita Universidade de Aston mostra que a retaliação torna cada país europeu pior do que se absorvesse as tarifas.

Liderada pela professora de economia Jun Du, a pesquisa revelou descobertas surpreendentes sobre o impacto econômico da retaliação. Se retaliasse com tarifas de 25%, o Reino Unido experimentaria um impacto econômico duas vezes maior do que se simplesmente absorvesse o golpe das tarifas americanas.

Uma retaliação coordenada entre Reino Unido e União Europeia produziria pior resultado para a Grã-Bretanha, enquanto a não retaliação conjunta produz as menores perdas. O país experimentaria metade do impacto no PIB per capita que a União Europeia enfrentaria se impusesse tarifas de 25% sobre os EUA. Já a Noruega seria, curiosamente, o único participante a ganhar com retaliação tarifária coordenada.

Atenta ao risco de repercussão mais ampla, a União Europeia havia preparado um pacote cuidadosamente calibrado de tarifas retaliatórias sobre 93 bilhões de euros em importações dos EUA, incluindo aviões Boeing, carros, bourbon e soja.

Segundo a pesquisa, para atingir duramente os Estados Unidos, a Europa precisaria expandir essa retaliação incluindo serviços americanos, como tecnologia e finanças, onde a Europa é um mercado fundamental. Du observou que a Europa não pode ameaçar excluir o Google ou a Microsoft, mas poderia tomar ações regulatórias que teriam como alvo novos entrantes no mercado.

Enquanto a Europa enfrenta dilemas estratégicos sobre como responder a Trump, a América do Sul já sente os efeitos concretos da política tarifária agressiva do presidente americano.

O cenário na região é marcado por disparidades significativas no tratamento recebido por diferentes países. A Argentina de Javier Milei tem um tratamento mais favorável e recebeu apenas a tarifa mínima de 10%, a mais baixa entre os países sul-americanos. A proximidade ideológica entre os presidentes americano e argentino explica esse tratamento diferenciado.

O Brasil teve um alívio parcial: Trump eliminou as tarifas de 40% sobre certos produtos agrícolas brasileiros, incluindo café, frutas e carne, reduzindo-as a zero. Também foram isentos suco de laranja, minerais, hidrocarbonetos, celulose e aviões (Embraer). Equador, Bolívia, Guiana receberam tarifas iguais ou superiores a 15%.

A diversificação comercial continua a ser o principal antídoto para os sul-americanos. A China se manteve como maior comprador do Brasil, com exportações crescendo 6% em relação ao ano anterior. As vendas de soja brasileira para China cresceram 84% em dezembro após Trump reduzir tarifas chinesas. O foco estratégico brasileiro mira em países como Chile, México, Rússia, Sudeste Asiático (Indonésia) e Índia, para compensar perdas no mercado americano.

A Suprema Corte dos EUA deve anunciar nas próximas semanas uma decisão sobre a legalidade das tarifas de Trump impostas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). Esta decisão pode limitar a capacidade de Trump de impor tarifas sem restrições ou permitir que ele continue com sua política agressiva. A incerteza sobre se Trump escalará ou recuará em suas ameaças pode fazer com que parceiros comerciais evitem a América no longo prazo, alterando permanentemente o panorama do comércio global.

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