
A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk tem sido destaque na imprensa europeia e global devido ao impacto econômico de medicamentos inovadores como o Ozempic, originalmente desenvolvido para diabetes tipo 2, e agora aprovado também como tratamento para obesidade. A companhia, recentemente alçada à posição de empresa mais valiosa da Europa, sugere que o uso generalizado de tratamentos à base de semaglutida pode reduzir gastos globais com saúde em até 3% do PIB mundial.
Impulsionada pelo sucesso comercial do Ozempic, a Dinamarca apresentou um crescimento econômico robusto de 1,9% em 2023. Sem a influência positiva da Novo Nordisk, a economia do país teria permanecido estagnada. Contudo, analistas europeus alertam para um possível risco: a dependência econômica excessiva em uma única empresa, fenômeno semelhante ao ocorrido na Finlândia com a Nokia.
No Reino Unido, estudos recentes ressaltam que os custos anuais relacionados à obesidade chegam a £100 bilhões, incluindo gastos do sistema público de saúde (NHS) e perdas de produtividade laboral. Diante desse cenário, medicamentos como Ozempic (£830 por ano) e Wegovy (£2.760 por ano) têm sido apresentados como alternativas economicamente vantajosas para reduzir esses custos.
No Brasil, além do crescente mercado para Ozempic, que em 2023 gerou receita de R$ 3,7 bilhões, a Novo Nordisk conquistou recentemente outra vitória estratégica: a aprovação da primeira insulina semanal pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Esse medicamento, denominado Icodec, promete simplificar o tratamento do diabetes tipo 2 ao substituir sete aplicações semanais por apenas uma.
Essa inovação reforça a posição europeia no cenário global de saúde, ampliando ainda mais o potencial econômico e social dessas tecnologias. No entanto, questões sobre acesso, custos para sistemas públicos de saúde e impacto econômico geral permanecem no centro do debate.
Apesar do evidente benefício econômico, especialistas europeus alertam para o risco da concentração econômica em poucos gigantes farmacêuticos. Simultaneamente, a iminente expiração das patentes, prevista para 2026 no Brasil, poderá favorecer a entrada de medicamentos genéricos, aumentando a acessibilidade e amplificando os impactos econômicos e sociais desses tratamentos.