Imprensa europeia celebra derrota de Trump, mas avisa: guerra comercial não acabou

20 de fevereiro de 2026 3 minutos
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A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou nesta sexta-feira (20) as tarifas de emergência do presidente Donald Trump. A decisão foi de seis votos a três. Na Europa, jornais e revistas reagiram com alívio, mas também com cautela. O recado foi quase unânime: a batalha comercial está longe do fim.

O tom geral foi de satisfação moderada. Os veículos que comemoraram com mais entusiasmo foram o britânico The Guardian e Euronews. Os dois destacaram a ironia política: três juízes indicados por presidentes republicanos integraram a maioria que derrotou o presidente. Uma corte que Trump ajudou a moldar votou contra ele.

O alemão Der Spiegel foi mais político. Para a publicação, Trump sofreu um “Gesichtsverlust”, uma perda de face pública, e a derrota foi ainda mais constrangedora porque a coalizão que o derrotou na Justiça inclui grupos libertários e pró-negócios normalmente aliados ao Partido Republicano.

Os veículos mais analíticos foram mais sóbrios. O Financial Times, o The Economist, o Le Monde e o El País reconheceram a importância da decisão, mas alertaram que a incerteza continua. O Economist foi coerente com a própria linha editorial: em dezembro de 2025 já defendia abertamente a derrubada das tarifas. Agora enquadrou o julgamento como uma afirmação da separação de poderes. O argumento central foi o mesmo que derrubou o programa de perdão de dívidas de Joe Biden: o Congresso precisa autorizar explicitamente medidas de grande impacto econômico. O FT e o Le Monde sublinharam que a decisão traz mais estabilidade jurídica, mas alertaram para a incerteza que ainda persiste. O El País foi o mais detalhado na análise das ferramentas legais que Trump ainda pode usar para reimplantar tarifas.

O italiano Corriere della Sera focou no problema financeiro. Empresas europeias que pagaram tarifas nos últimos meses agora podem pedir reembolso na Justiça americana. O jornal alertou para um possível caos jurídico e comercial que pode se arrastar por anos.

Todos os jornais fizeram a mesma ressalva: as tarifas sobre aço, alumínio e carros continuam valendo. A decisão não muda tudo.

Bruxelas em compasso de espera

A União Europeia reagiu com cautela. A Comissão Europeia disse que está “analisando cuidadosamente” a decisão e que mantém contato com Washington. A cautela tem motivo: o acordo comercial fechado entre a UE e os EUA em julho de 2025 pode precisar ser renegociado. Bernd Lange, presidente da Comissão de Comércio do Parlamento Europeu, convocou uma reunião de emergência para segunda-feira e pediu tempo para avaliar as consequências antes de qualquer votação.

Para a Europa, a guerra comercial mudou de fase. Não terminou.

 

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