Europa reavalia fim dos motores a combustão diante de obstáculos industriais e políticos

12 de fevereiro de 2025 3 minutos
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A União Europeia estabeleceu, em 2021, a meta ambiciosa de proibir a venda de veículos novos movidos a combustíveis fósseis a partir de 2035, como parte de seu plano para atingir a neutralidade de carbono até 2050. No entanto, à medida que o prazo se aproxima, surgem divergências significativas entre governos, fabricantes e especialistas sobre a viabilidade dessa transição.

Atualmente, os veículos elétricos representam cerca de 14% das vendas de carros novos na Europa. Em 2021, ano em que a meta foi anunciada, essa participação era de aproximadamente 9%, demonstrando um crescimento expressivo, mas ainda abaixo do necessário para cumprir os objetivos climáticos do bloco. Especialistas estimam que essa participação possa chegar a entre 20% e 24% até 2025, impulsionada pela introdução de modelos mais acessíveis e pela expansão da infraestrutura de recarga.

A transição, no entanto, enfrenta desafios. A Alemanha, maior mercado automotivo europeu, viu uma queda expressiva nas vendas de elétricos após o corte de subsídios governamentais em 2023. O mesmo aconteceu na França e no Reino Unido, onde o fim de incentivos financeiros desacelerou a adoção de veículos eletrificados.

Além disso, os carros híbridos plug-in ainda representam uma fatia relevante do mercado, com cerca de 8% das vendas totais, evidenciando que os consumidores europeus ainda veem os híbridos como uma opção viável para a transição gradual.

Desafios e perspectivas

A partir de 2025, a UE implementará limites mais rígidos para emissões de CO₂, exigindo que a média de emissões dos veículos novos seja reduzida em 15% em relação aos níveis de 2021. Para atender a essa exigência e evitar multas estimadas em até 15 bilhões de euros, montadoras precisarão aumentar a participação dos elétricos nas vendas.

Diante desse cenário, grandes montadoras expressam preocupações. O CEO da BMW, Oliver Zipse, afirmou recentemente que a proibição total dos motores a combustão em 2035 pode não ser mais realista, defendendo o uso de combustíveis sintéticos e híbridos plug-in como alternativas viáveis. Já a Volvo mantém seu plano de vender apenas veículos elétricos até 2030 e pressiona a UE para manter o prazo de 2035.

Outros fabricantes, como Volkswagen e Stellantis, reconhecem a necessidade da eletrificação, mas alertam para os impactos econômicos e industriais, especialmente para países cuja infraestrutura de recarga ainda é insuficiente.

Além disso, a concorrência de fabricantes chineses, que oferecem elétricos a preços mais baixos, e a dependência da Europa das baterias produzidas na Ásia, levantam preocupações sobre a segurança da cadeia de suprimentos e a autonomia industrial do continente.

A UE enfrenta um dilema: manter a meta de 2035 e correr o risco de impactos industriais severos, ou flexibilizar as regras para permitir uma transição mais gradual? Com a desaceleração das vendas de elétricos e a resistência de algumas montadoras e governos, um meio-termo pode emergir como a opção mais viável.

A discussão sobre o fim dos motores a combustão não se resume apenas a uma questão ambiental, mas também industrial e geopolítica. À medida que o debate avança, será essencial equilibrar inovação tecnológica, viabilidade econômica e responsabilidade ambiental para garantir um futuro sustentável para o setor automotivo europeu.

 

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