
Portugal se prepara para o segundo turno das eleições presidenciais em 8 de fevereiro, após o primeiro turno realizado no último domingo (18) confirmar o confronto entre António José Seguro (Partido Socialista) e André Ventura (Chega). A disputa representa uma polarização sem precedentes no país, opondo visões sobre imigração, economia e o papel de Portugal no cenário internacional.
Embora a presidência portuguesa seja largamente cerimonial, o cargo detém peso político significativo: o presidente pode dissolver o Parlamento, destituir o governo, convocar eleições antecipadas e vetar legislações.
Seguro defende que é preciso controlar a imigração e integrar melhor estrangeiros, embora evidencie que já haja uma boa e igualitária contribuição de imigrantes ao país. Do ponto de vista de negócios, o socialista considera que o Estado português se tornou menos amigo da economia e de quem quer empreender, sublinhando que exige muito a quem investe.
Com experiência no Parlamento Europeu, Seguro valoriza a estabilidade democrática, o papel de Portugal na União Europeia e uma política externa baseada no respeito pelo direito internacional. Deste modo, criticou a operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, considerando-a uma violação à Carta das Nações Unidas.
Ventura, o líder populista, tentou transformar a imigração num tema de campanha, apostando no discurso de ruptura, com propostas bem restritivas. O Chega incluiu no programa eleitoral acabar com os títulos de residência, medida que afetaria diretamente a comunidade brasileira, que representa 31,4% dos estrangeiros em Portugal.
Durante a campanha, utilizou cartazes como “Isto não é Bangladesh” e “Os imigrantes não devem poder viver da assistência social”, posteriormente considerados discriminatórios pela justiça. Embora seu discurso anti-imigração seja forte, Ventura tem poupado brasileiros de críticas diretas, focando-se em outras comunidades.
Ventura defende uma revisão constitucional que permita um presidente mais interventivo. No debate sobre política externa, foi o único candidato que não condenou a operação dos EUA contra a Venezuela, afirmando que quer “que os ditadores acabem na cadeia”. Sua postura em relação à União Europeia é de manutenção dos compromissos, embora com críticas ocasionais.
A imigração, especialmente o crescimento expressivo do número de estrangeiros residentes em Portugal nos últimos anos, é um tema recorrente na corrida presidencial, mas os portugueses parecem estar mais preocupados com a crise imobiliária, o envelhecimento da população, o futuro dos jovens e o elevado custo de vida.
Porém, como outros países do bloco, o país necessita de mão de obra estrangeira para sustentar seu crescimento econômico e sistema de segurança social, criando uma tensão entre necessidades econômicas e discursos restritivos sobre imigração.






