
Berlim posicionou-se contra a reabertura de canais diplomáticos com Moscou, contrariando iniciativas de Paris e Roma em meio às discussões sobre o fim da guerra na Ucrânia.
O governo alemão manifestou nesta semana oposição clara às negociações diretas com o presidente russo Vladimir Putin, citando o que classifica como “exigências maximalistas” do Kremlin e a ausência de vontade genuína de negociar. A posição coloca a maior economia europeia em rota de colisão com França e Itália, que defendem a retomada do diálogo com Moscou.
“Apoiamos conversações diretas entre Rússia e Ucrânia ao mais alto nível, já que não pode haver paz justa e duradoura sem a participação da Ucrânia”, afirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores alemão. O governo ressaltou que a Rússia mantém ataques a infraestruturas energéticas e alvos civis ucranianos, o que inviabilizaria qualquer aproximação agora.
O chanceler Friedrich Merz declarou-se “cético” quanto à reabertura de relações com o Kremlin, destacando a recusa russa em estabelecer um cessar-fogo incondicional. “Teremos de manter a pressão e as sanções, intensificando-as sempre que possível”, afirmou, sinalizando coordenação com Kiev e Washington.
A posição alemã contrasta com a do presidente francês Emmanuel Macron, que no mês passado defendeu que o diálogo com Putin – praticamente interrompido desde fevereiro de 2022 – deveria ser retomado “o mais rapidamente possível”. A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni endossou o posicionamento francês, argumentando que a Europa limitaria sua contribuição ao falar apenas com um dos lados do conflito.
A divisão expõe tensões sobre o papel europeu nas negociações de paz, que avançam sob liderança americana. Enquanto a Estônia alertou contra “repetir erros do passado” ao restabelecer relações sem mudanças concretas por parte da Rússia, a República Tcheca sugeriu a nomeação de um enviado especial europeu para garantir protagonismo do bloco no processo.
A alta representante da União Europeia, Kaja Kallas, alinhou-se à cautela, pedindo que Moscou demonstre seriedade e faça concessões antes de qualquer aproximação. A Comissão Europeia, por sua vez, admitiu que conversações diretas podem ocorrer “em algum momento”, sem definir prazos.
O debate ocorre enquanto Bruxelas prepara um novo pacote de sanções contra a Rússia, previsto para ser apresentado nos próximos dias e aprovado até 24 de fevereiro, quando a invasão em larga escala completará quatro anos. A campanha de bombardeios russos, que tem provocado apagões na Ucrânia em pleno inverno, reforça argumentos dos que defendem manter Putin isolado.
A divergência entre as principais capitais europeias reflete incertezas sobre a arquitetura de segurança do continente no pós-guerra e sobre a capacidade da Europa de influenciar os termos de um eventual acordo de paz.






